terça-feira, 3 de abril de 2012

O negócio é coletivo!


Olá para todos… Essa semana iniciou linda e gelada em Curitiba e logo vai começar a esfriar de vez! Por isso, vamos falar de uma coisa que esquenta nosso dia-a-dia e que historicamente está ligado a mudanças culturais no Ocidente: TECIDOS e meios de produção. Recentemente, eu conheci através do Facebook uma proposta muito legal e que fiquei fascinada: www.panolatras.com.br



Achei muito interessante a proposta do trabalho. Mostra mudanças a respeito do consumo e da produção. Há alguns anos ter sua própria estampa era algo totalmente inviável a não ser que se tivesse uma marca bem estabilizada no mercado e com grande saída de produtos. Ter sua estampa exclusiva era um luxo para poucos, mas... bem poucos, mesmo! E hoje, através de propostas assim como do Panólotras é possível ver sua ilustração impressa num tecido. Ainda é caro para alguns segmentos do mundo da moda e para pequenos ateliês, mas já é uma nova alternativa a um modelo de indústria que foi dominante e hegemônico por muitos anos. E quanto mais se popularizar esse modelo de serviços mais baratos e diversificados serão os produtos. Com uma pesquisa rápida sobre esse tipo de serviço achei um nome para ele: CROWDFUNDING, ou seja, um financiamento colaborativo de projetos, no qual visa a captação de recursos pela Internet. Esse modelo de negócio já ganhou muita força no mundo virtual. Além de projetos comerciais, podem ser usados para causas humanitárias. Esse é o exemplo do www.lets.bt.




O mais legal desse modelo de serviço é que algo que era só um projeto pode ser realizado se outras pessoas acreditarem no seu projeto também. A questão é: podemos mudar o mundo, basta a gente somar!



Abraço para todos!
Carol Fileno

sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma antropóloga para o Facebook


Gente,

Tenho visto pelo mundo das redes sociais uma notícia que me parece ser falsa, no entanto é boa para se pensar: "Mark Zuckerberg está decepcionado pela forma como os brasileiros usam o Facebook". Na "notícia" dizia-se que ele tinha a idéia de atualizar a plataforma para que fosse permitido o uso de GIFs animados, mas que voltou atrás em sua decisão para evitar que o Facebook não seja mais "orkutizado". Porém não vai restringir a participação dos brasileiros na rede social.

Realmente a notícia me parece ser falsa justamente nesse ponto - ele não quer perder a oportunidade de coletar tanta informação brazuca que entra para seus bancos da dados. Somos um grande mercado diga-se de passagem :-) Bom, o que assunto trouxe de legal para nosso blog é a possibilidade nos propor a fazer um exercício de entender como os brasileiros pensam e usam a rede social. O interessante, é que a partir do uso que se faz delas conseguimos traçar e identificar regras que organizam a configuração social de grupos a partir dos interesses e assuntos que são mobilizados.

No Brasil o Facebook é utilizado para aproximar, familiarizar e "pessoalizar" as relações entre pessoas. Já fora do Brasil parece que as pessoas usam com mais reservas (não tenho tanta informação assim)... Mas gente, isso é ser brasileiro!

Se essa notícia for verdadeira, eu sugiro ao Mark Zuckerberg contratar antropólogos para que eles lhe ajudem a entender como os brasileiros pensam. Além disso, somos capazes de extrair insights das pesquisas que podem gerar inovações para deixar seu brinquedinho mais legal, pois as pessoas fazem uso de equipamentos e serviços de acordo com o contexto que está inserido.

Imagem que mostra o fluxo das informações dentro do Facebook.

E além disso, no mundo da Internet, as coisas acontecem com outra velocidade. O que hoje é o Facebook, ontem foi o Orkut e gente...tem o Google+, Pinterest, Foursquare e outras redes sociais onde há espaço pra interação. O legal é observar, pesquisar e não tentar moldar e restringir o uso. Isso seria um crime para quem pesquisa a sociabilidade nas redes sociais, pois esse tipo de intervenção limita a coleta de dados do comportamento das pessoas. 

Saber quais assuntos as mobilizam é muito importante para entender o espaço simbólico na rede. A Internet é um espaço de sociabilidade como qualquer outro, como uma praça, um supermercado - onde as pessoas transitam, se encontram e se comunicam… Fazendo uma comparação bem rasa é como colocar um monde de pessoas dentro de um estádio de futebol e agrupá-las por vínculos sociais ou parentais (Ex: amizade, trabalho, família, etc.) e dar para cada uma delas um livretinho de como eles devem se comportar numa final de Copa do Mundo!

Só por curiosidade, entrei na página sobre as carreiras da equipe do Facebook e procurei, mas não achei nenhum antropólogo! Então Zuckerberg querido, já submeti meu currículo aí viu!

http://www.facebook.com/careers

domingo, 18 de março de 2012

Pesquisas Antropológicas

Olá pessoas,

Hoje no meu post quero falar sobre 3 coisas: A primeira delas é que organizei minha agenda para que eu escreva todas as quartas-feiras. Então procurem dar uma passadinha aqui sempre depois de quarta que terá coisa nova. Minha idéia é que aos poucos o blog seja atualizado diariamente. O segundo assunto, é uma divulgação muito legal: acontecerá nesse ano em SP, do dia 2 a 5 de Julho, a 28ª RBA- Reunião Brasileira da Antropologia. O que estou gostando muito dessa edição é a temática: Desafios Antropológicos Contemporâneos. Terá muitos grupos de trabalhos interessantes! Confesso que ainda não decidi no que tanto conseguirei participar, mas estou com água-na-boca por vários deles. A programação aliás é bem extensa, então sugiro que vasculhem e vejam como está legal.  Ah, só pra quem já está com aquela coceirinha de vontade…EU VOU!



Já que estavamos falando da RBA, vamos para o terceiro assunto do dia. Esse ano o tema da Reunião ganhou meu coração. No site, na nota de abertura do evento, a atual presidente da ABA toca num ponto muito importante: as transformações que estão ocorrendo no campo antropológico. Existem demandas do mercado de trabalho em relação a pesquisa antropológica, para isso é preciso pensar sobre os dilemas e os desafios presentes, propondo soluções.

Acho que estamos num período crucial para a Antropologia, que está cada dia ganhando mais espaço no mercado de trabalho em geral. Hoje encontramos muitos profissionais em empresas pesquisando as práticas sociais. Estou curtindo essa idéia de pensar o mundo pela ótica dessas práticas sociais… acho bem legal fazer pesquisas com um objetivo mais prático, ver a cultura materializada em costumes e hábitos de consumo… Me lembro da primeira vez que li Marcel Mauss - um autor clássico da antropologia, onde ele falava que o corpo é culturamente treinado e que ele podia distinguir uma francesa de uma inglesa pelo andar. Guardada a temporalidade de suas pesquisas eu acho isso incrível… e isso para mim é apaixonante. Entendo porque o Mauss era rodeado de alunas!

Ainda sobre esse assunto tem um caso que acho muito legal. Há 20 anos, a empresa LEGO tinha grande popularidade com as crianças, passado os anos, a vida tornou-se mais dinâmica e o interesse pelo brinquedos da LEGO foram diminuindo. Quando eles estavam na iminência da falência, decidiram trocar a gestão da área criativa. Tiveram a excelente idéia de contratar uma equipe pra pesquisar o porquê das crianças não se interessarem mais pelos brinquedos deles. Essa equipe, que era formada por antropólogos, constatou que as crianças estavam interessadas em brinquedos eletrônicos - isso há uns 10 anos. Foi quando a LEGO criou a linha Mindstorm, um case de sucesso da empresa que a levantou novamente. Hoje a LEGO continua sinônimo de inovação e continua sendo sucesso entre as crianças.

terça-feira, 6 de março de 2012

ideias para mudar o mundo...

Oi gente!

Recebi de uma amiga, que conhece do meu amor pelas cidades, um vídeo que mostra 5 lições de Copenhagen que serviria para SP ou outra cidade brasileira. Neste vídeo, um urbanista chamado Jeff Risom, fala da necessidade de seguir 5 lições para gerar mudanças no panorama urbano e assim melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem na cidade. O que achei interessante, ao ponto de eleger como assunto para um post, é que já de cara coloca uma questão óbvia, mas que nem sempre está tão evidente nos projetos arquitetônicos e urbanísticos: CIDADES DEVEM SER PENSADAS PARA PESSOAS e não pessoas se adaptando aos aparelhos urbanos que a cidade oferece.

Enfim, as cinco lições, resumidamente são: 1) pessoas devem estar em primeiro lugar; 2) pesquisar como as pessoas usam a cidade; 3) testar as ideias; 4) colocar projetos de maior escala em prática e 5) respeito entre as pessoas e a cidade.

O que quero chamar a atenção é que, esses assuntos já são pensados há muito tempo por antropólogos que estudam as cidades. E no quesito testar ideias há um ramo no Design - o User Experience (UX), que trabalha em conjunto com antropólogos (pesquisadores) para desenvolverem soluções para melhor atender as pessoas que usarão determinados espaços e serviços. Achei incrível que a necessidade de pensar as cidades para as pessoas esteja entrando em pauta. Esse é um assunto que gosto muito, então podem ter certeza que sempre estarei postando algo do tipo por aqui.

Abaixo o link do vídeo para se deliciarem e ficarem com uma pontinha de inveja dos cidadãos de Copenhagen:

quinta-feira, 1 de março de 2012

Olha eu aqui outra vez...

Então pessoas decidi retomar o blog - criado há algum tempo, mas que pouco foi alimentado. Ora por falta de tempo, ora por falta de inspiração. Minha primeira ideia era postar sobre assuntos que me interessam no dia-a-dia porém com um olhar antropológico. Não sabia ao certo o que iria falar aqui, exceto que era sobre antropologia e experiências vividas de forma etnográfica. No entanto essa proposta acabou ficando muito abrangente e eu me perdi na minhas ideias.

Bom, o fato é que minha cabeça continua a trabalhar muito e tenho vontade de compartilhar coisas que leio, situações que vivo e por isso resolvi retomar o blog. Minha ideia a princípio é falar de tecnologia, consumo e comportamento, mas sei que a identidade desse blog só se formará em alguns meses... Então vamos ver no que vai dar.

Espero que vocês, que estão lendo, gostem.
Sejam bem vindos... novamente!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Antropologia do Youtube

Abaixo segue um vídeo resultado de uma pesquisa antropológica do Youtube. O pesquisador, Dr. Michael Wesch, fez um vídeo com as informações coletadas durante seu "trabalho de campo" - a Internet. Aqui ele mostra como o processo de informação no mundo mudou e como agora temos um acesso muito maior de que quando somente tínhamos a televisão e/ou rádio. Essa forma de fazer etnografia está se tornando comum nos dias atuais.

Mais uma vez os antropólogos reconfiguram a noção de "campo".

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cultura do Remix

O termo remix surgiu nos anos 70, quando produtores e DJs descobriram que era possível mexer na música depois que ela havia sido gravada. Um conceito de certa maneira novo, a pós-produção ajudou a maturidade do rock nos anos 60, quando, liderada pelos Beatles, toda uma geração se dispôs a alterar a própria obra com efeitos, superposições e modulações que podiam mudar sutil ou completamente o que havia sido registrado em estúdio.

É com o mesmo conceito que hoje vemos o remix ser utilizado em outra mídia, a Internet.

Reinventar: essa é a palavra de ordem. Propondo a reinvenção de um produto, possibilitando a reapropriação e incorporando alternativas, a Cultura do Remix cria uma nova expressão, provocando a imaginação do espectador.

Os novos artistas da Cultura do Remix provocam a percepção humana sobre a realidade que as cerca, abrindo novos significados a aprtir de reprocessamento e releituras de sons e imagens, com suas gravações e manipulações. Dando uma nova roupagem para a já tão citada Indústria Cultural, pois agora o poder está saindo da concentração dos poucos poderosos da mídia e se diluindo na coletividade da sociedade.

Sites de vídeos como o YouTube oferecem a plataforma perfeita para pessoas criativas adicionarem suas próprias versões de clips musicais e virais da internet. De paródias a remixes de uma única canção, ou ainda uma junção de várias músicas, é fácil achar pérolas realmente inovadoras.

Então junte informação abundante, disseminação da tecnologia e um espaço "teoricamente" livre e chegamos na Cultura do Remix. Um local onde qualquer um pode criar a sua música ou seu vídeo, sem gravar ou produzir uma nota musical ou frame se quer. Apenas se apropriando de outros materiais e dando forma a um novo produto cultural.

A seguir, selecionamos dois dos melhores hits (segundo a revista PC World-EUA) dos vídeos musicais do YouTube feitos com colagens de outros vídeos.

Vídeo: ThruYou - Mother of All Funk Chords
O projeto ThruYou, do produtor musical Kutiman, de Israel, captura diferentes vídeos do YouTube com pessoas cantando ou tocando algum instrumento, e os edita, colocando todos juntos para montar um funk/jazz que, inicialmente parece uma bagunça, mas se transforma em um som de alta qualidade.O “The Moher of All Funk Chords”, primeiro dos sete remixes produzidos por ele, foi visto mais de um milhão de vezes na primeira semana em que estava no site.





Vídeo: Xmas in New York city
Esse vídeo misturou Frank Sinatra, AC/DC, Rolling Stones e acabou ganhando o Desafio do Vídeo Remix 2008. Os juízes consideraram que a obra “captura o espírito de anarquia, ironia e cultura pop”.



Obs: O texto acima também foi remixado de vários websites. Dá-lhe Cultura do Remix!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Movimentar o que está parado.

Esse blog surgiu como qualquer outro, pessoas com idéias e vontade de falar para o mundo o que pensam!!! Nos séculos XVIII, XIX e XX a sociedade do conhecimento colocava seus pensamentos em livros, os autores que caíam nas graças e no gosto do povo tornavam-se clássicos. Mas com o advento do mundo digital e da sociedade de Informação, na qual a internet é o grande meio de comunicação, blogs são os meios de disseminação da informação mais usados hoje. Vale lembrar que há diferença entre informação e conhecimento, os livros ainda são mais que necessários e os grandes clássicos serão clássicos para sempre.
Minhas ambições antropológicas com a internet e com a cultura urbana me fez criar esse blogzinho há dois anos, ele ficou paradinho enquanto eu estava adquirindo material. E agora sinto que está na hora de fazer valer a idéia pra que ele foi criado.

é isso!!
valeu
até breve.
Carol

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Piercing e Tatuagem - primeiro olhar



Numa sociedade tribal a pintura corporal e a ornamentação são formas efêmeras de arte, que têm grande importância nos momentos cerimoniais, utilizadas como formas de enfeitar-se ou na construção de uma armadura psicológica, fazendo o seu portador representar seus anseios e angústias, espelhando seu grau de socialização, ou seja, sua integração na sociedade em que está inserida. Como muito bem lembram Castilho e Martins no livro "Discursos da Moda: semiótica, design e corpo (2005)",

“O que define a priori a espécie humana é que em todo o nosso processo histórico, somos movidos a estruturar e a propagar linguagens que possibilitam e potencializam nossa comunicação. Uma das principais características da comunicação humana é a de dotar nosso corpo de significação e, conseqüentemente, de linguagens que são potencializadas por meio de interferências, (...) ressemantizando-o ou, em outras
palavras, dando novos valores a ele.”

Lux Vidal seguindo afirma que os ornamentos corporais são considerados “como material visual que exprime a concepção tribal da pessoa humana, a categorização social e material e outras mensagens referentes à ordem cósmica, ou seja, são manifestações simbólicas e estéticas centrais para a compreensão da vida em sociedade".

Caminhando por uma análise da "sociedade-líquida" de Baumann, podemos interpretar o uso desses adereços modernos como uma forma de resposta a esse mundo das relações efêmeras e egoístas. Ao se tatuar, a pessoa cria laços duradouros entre seus semelhantes e marca em seu corpo uma mensagem definitiva... um grito de "Ainda estou vivo, ainda pertenço a esse mundo".

Etnografia em uma cultura digital

Vejam essa iniciativa muito interessante de um grupo de trabalho de estudantes de antropologia da Kansas State University (EUA), que se dedica a explorar as possibilidades e o impacto da interação entre seres humanos e a tecnologia, dentro que está sendo chamado de Cultura Digital.

A cultura digital encontra campo fértil dentro da pós-modernidade, período que apesar de muitas discussões, costuma-se a designar o período em que nos encontramos. A cultura digital surge da convergência das mídias, do surgimento do computador e da criação do ciberespaço (Internet). Tudo interligado na forma como nos relacionamos e como nos comunicamos entre si. Manuel Castells diz que "a comunicação definitivamente molda a cultura". E isso se percebe ao olharmos como a comunicação de massa ajudou a construir o sistema cultural do século XX. Agora no início do século XXI vemos essa profusão de informações, de ligações sociais efêmeras, dos cliques rápidos em milhares de páginas na Internet. E como o ser humano se encontra no meio de tudo isso?

É essa a proposta desses alunos norte-americanos. E eles começaram voltando o olhar para dentro de suas classes universitárias...tudo com a ajudinha das novas tecnologias. É uma boa oportunidade para daqui a algum tempo vermos os resultados.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A tendência é ser cool



Fala-se muito em tendências, em prever o futuro e surgem futurólogos a cada momento. Moda, tecnologias, moradias, decoração, alimentação, comportamento...nada passa despercebido pela ótica dos "especialistas do futuro". A nova moda, ou tendência, é se tornar CoolHunter ou Trendhunter. No nosso velho e bom português, eles são os Caçadores de Tendências.

Um coolhunter é um profissional que se dedica a identificar possíveis padrões futuros de comportamentos e atitudes, particularmente no que se refere a produtos de consumo. O conceito de “cool hunting” é a identificação, no presente, das sementes de movimentos que estão ganhando corpo e tomarão forma no futuro. Seria uma aproximação do marketing com a antropologia e as ciências sociais aplicadas a marcas e produtos.

Grandes empresas, cada vez mais, estão interessadas em saber para onde as coisas estão caminhando. Não é para menos: num mundo que parece girar mais rápido a cada dia, onde as transformações são constantes e barreiras são transpostas é preciso criar estratégias com os olhos no futuro.

O caçador de tendências é um profissional capaz de identificar qual das alternativas possíveis terá maior probabilidade de acontecer, permitindo que as partes interessadas atuem de forma antecipada, seja preparando-se para aproveitar uma oportunidade ou reduzir um risco, seja interferindo para alterar o cenário (se possível!).

O perfil ideal do caçador de tendências é o de uma pessoa inquieta, que tem interesse em fenômenos sociais, que goste de lidar com pessoas e formação nas áreas de antropologia, sociologia, psicologia ou design.

Estudar hábitos culturais e observar a sociedade são tarefas fundamentais das ciências humanas. Antropólogos, sociólogos, psicólogos e designers fazem isso o tempo todo e já há bastante tempo. Um cientista social pode contribuir e muito na busca de tendências, sem fazer uso de "achismos".

Cool agora é ser cientista social.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Gilberto Gil e a Indústria Cultural

O Ministério da Cultura encomendou ao IBGE uma pesquisa que permitisse perceber o peso da cultura na economia nacional. O objetivo principal, com os dados, é o de incentivar a profissionalização do processo criativo, agregando ainda a produção, distribuição, divulgação e comercialização da cultura como uma mercadoria a circular no Brasil e no mundo. Outro objetivo da pesquisa é medir o impacto da cultura na economia brasileira de uma forma mais transparente.

CinemaAqui encontramos um problema essencial: Que cultura é essa de que estamos falando e sobre a qual o IBGE coletou dados? A antropologia é a ciência que tem por objeto de estudo a cultura e por isso, vamos recorrer a ela. A antropologia evolucionista compreende que todos os seres humanos estão ligados em uma história comum de evolução; as diferenças entre os povos teriam sua justificativa no fato de cada povo estar situado em uma fase distinta de evolução, perceptível a partir de uma comparação entre eles. Já para a antropologia historicista a especificidade cultural de cada povo é fundamental, ou seja, cada povo tem a sua cultura. No entanto, falar dessa corrente hoje em dia é um debate vazio, pois as barreiras territoriais foram quebradas e tudo se mistura em uma grande salada cultural, graças à tão falada globalização.

Na primeira metade do século XX, os teóricos de Frankfurt foram os primeiros a estudar a questão da mercantilização da cultura (um dos embriões da globalização) promovida pelos Estados Unidos, através do entretenimento. Cinema, rádio, música, TV, moda e alimentação foram as primeiras munições utilizadas por essa nação que dominou culturalmente o lado ocidental do globo nesse século. Para os estudiosos alemães, a missão da cultura de levar o esclarecimento acabava sendo corrompida, e levando a uma diminuição da consciência crítica dos seres humanos, agora entregues a lazeres marcados pela excitação dos sentidos e não pelo estímulo à razão.

Voltando aos dados, a pesquisa do IBGE mostrou que o brasileiro gasta com "produtos e serviços culturais" 8% do orçamento familiar. É um quarto lugar louvável, que fica atrás apenas dos gastos com habitação, alimentação e transporte. O gasto com cultura fica à frente de gastos com vestuário e educação, por exemplo. Ao tentar mensurar na ponta do lápis esses gastos culturais, o governo brasileiro reafirma a figura da indústria cultural e a coloca como um dado estatístico dentro da política econômica.

Algumas perguntas surgem ao pensarmos nesta pesquisa do IBGE: A questão cultural não envolveria o modo como vivemos, onde moramos, como nos alimentamos, nos locomovemos, nos vestimos e como nos relacionamos com outras pessoas? O próprio hábito de consumo não poderia ser estudado através de um olhar mais antropológico?

Sendo assim, o que de real essa pesquisa tenta nos informar?

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A gente não quer só comida...



No mês de setembro, a revista Mente e Cérebro lançou uma edição especial sobre ALIMENTAÇÃO, chamada "Muito mais que só comer". Esta edição trata das escolhas que fazemos, conscientes ou não em relação a tudo o que chega ao nosso estômago. Além disso, há contribuições antropológicas, tais como, a possibilidade de escolhas por imitação entre as crianças e os adultos, a construção cultural dos hábitos alimentares sobre a formação da auto-imagem social construída na sociedade contemporânea.

A comida como fator de mediação das relações afetivas e os transtornos psíquicos que alteram a relação do indivíduo com o alimento, como obesidade, bulimia e anorexia, mereceram atenção especial nesta edição.

Há também uma matéria chamada "Do cru ao cozido"; escrito por Jasmina Trifoni e fazendo referência a Levi-Strauss o texto trata que os hábitos alimentares registram a evolução dos povos e revelam a capacidade de adaptação cultural da espécie humana. A revista fecha com uma matéria sobre a alteração do padrão alimentar ao ponto da sofistação física, mental e social da espécie humana.

Algumas matérias estão relacionadas à fisiologia cerebral através do consumo de determinados alimentos, mas na maioria delas é relacionada ao comportamento dos seres humanos nas escolhas, na construção cultural dos hábitos alimentares e na relação que há entre o sujeito, comida e sociedade. Tudo isso contribui no modelo de "beleza" que encontramos hoje.


Especial Mente&Cérebro
Ed. 11
Muito mais que só comer
Por: R$ 12,90
Veja mais no site da revista: Clique aqui.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Antropologia para comer, antropologia para beber, antropologia para pensar.

Nos dias 19,20 e 21 de agosto aconteceu em Curitiba nos auditórios do Sesc da Esquina e do Senac, O PRIMEIRO Colóquio de História da Alimentação. Foi um evento rico em opiniões , idéias , discussões e pensamentos. Vários estudiosos compuseram a mesa e a receita foi simplesmente um sucesso. As professoras Dra. Júlia Csergo (Universidade de Lumière - Lyon 2, França) e Dra. Isabel Braga (Universidade de Lisboa - Portugal) vieram dar suas contribuições às pesquisas sobre alimentação em nosso país. O nome do evento, Saber e Sabor, conseguiu aliar a teoria e a prática. Veja o que a organização do evento propôs:


Com o objetivo de propor um espaço interdisciplinar de discussão, como um gênero de fronteira sobre a história e cultura da alimentação, buscando o intercâmbio de informações bem como o fortalecimento desta área de conhecimento, o primeiro Colóquio de História e Cultura da Alimentação acontece no mês de agosto em Curitiba reunindo pesquisadores de todo o Brasil e do exterior, discutindo temas de grande relevância para o estudo da alimentação que permitem uma reflexão sobre o significado e a evolução da sociedade.

1º DIA
O evento começou no dia 19/08 às 20hs, com o pronunciamento do Prof. Dr. Carlos Antunes e de outras autoridades promotoras do Colóquio. A primeira e única palestra da noite foi da Profª Julia Csergo (Université Lumière, Lyon 2, França) que falou sobre Saber e Sabor... História, Comida e Identidade.

“Os homens não sabem mais comer" - Julia Csergo
A professora francesa faz uma cronologia sobre a pesquisa e história da alimentação na França. Ela cita muitos pensadores e autores de relevância sobre o tema: respeito de patrimônios culturais, históricos e materiais. Ela destaca que a nossa vida está organizada em torno da alimentação, sendo um suporte para a identidade e contribuindo para a construção do indivíduo sob aspectos social, territorial e religioso.



2º DIA
Neste segundo dia os participantes Henrique Carneiro (USP), Leila Algrati (Unicamp), Isabel Braga (Universidade de Lisboa) e Deborah Agulham Carvalho fizeram um levantamento dos autores que escrevem à respeito do tema alimentação.

Carneiro começa fazendo referências históricas no Brasil (Câmara Cascudo e Gilberto Freyre), no exterior (Flandrin, Montanari e Fichler) e comenta que muita pesquisa neste campo está crescendo, justamente no campo historiográfico, mas que ocorre também em outras áreas científicas. Ele fala também que há diversos significados culturais atribuídos ao ato de se alimentar, trazendo com isso significados simbólicos desde a forma do preparo até o modo de servir e de nos portarmos a mesa. De acordo com ele, a comida é um mediador afetivo e formador de laços familiares.

Na seqüência a historiadora da USP Leila Algrati fala da base da comida no Brasil Colonial. Ela expôs o resultado da cultura alimentar pela coexistência de várias culturas provindas de locais diferentes e mostrou a diferença de uma historiografia do passado e do presente.

A pesquisadora portuguesa Isabel Braga traz uma referência sobre a sociabilidade à mesa, baseado em trabalhos de autores franceses, espanhóis, italianos e ingleses. Ela faz também um levantamento sobre quais os ítens mais recorrentes na mesa portuguesa.

Já a última pesquisadora da manhã, Deborah Agulha apresentou os trabalhos de David Carneiro, Romário Martins e Saint Hillaire. Ela pesquisou que David Carneiro tinha preocupação com o precesso de fabricação da farinha e da erva-mate. Já para Romário Martins ela acrescentou a importância da caça ao consumo de alimentos. E para finalizar relatou como Saint Hillaire ficou maravilhado com os gostos da comida colonial paranaense.



No período da tarde, a mesa foi composta pelas antropólogas Maria Eunice Maciel (UFRGS), Paula Pinto e Silva (USP), pela socióloga Mônica Abdala e pela pesquisadora Juliana Reinhardt (UFPR). Elas falaram sobre Memória, Tradição e Identidade.
Maria Eunice falou muito sobre o que o gosto disperta nas pessoas: prazer, memória, lembranças... E que isso está ligado à processos sociais de construção de identidade. Um povo pode ser reconhecido pelo tipo de comida que produz.

"O gosto é construído socialmente, mas tem um recorte individual. Quando falamos em patrimônio alimentar, diz respeito à patrimônio gustativo, gastronomia local e regional" - Maria Eunice Maciel

A pesquisadora Paula Pinto e Silva faz uma ligação muito bem construída entre a formação do paladar brasileiro e o tripé colonial composto pela farinha, feijão e carne-seca. Ela mostra também como a cozinha se torna um espaço físico comum à família brasileira.

A professora Mônica Abdala (UFU) falou sobre mudança nos hábitos alimentares. "Pessoas que trabalhavam distantes de suas casas queriam um lugar para comer que fosse um intermédio de suas casas e trabalho". É nesse espaço social que surge o self-service, que é um intermédio da comida caseira com uma profissionalização do serviço.

A pesquisadora Juliana fez uma pesquisa em Cuiritiba e verificou que a broa de centeio da padaria América é tida para os curitibanos de decendência alemã um ítem de sua identidade, pois é fabricada de geração em geração, desde os primeiros colonos que imigraram para o Brasil.


3º DIA
O último dia do evento teve a na primeira mesa a participação das pesquisadoras Rosana Proença, Luciana Patrícia Moraes, Maria Henriqueta Gimenes, pelo pesquisador Raul Lody, pelo chef Alex Atala. Essa mesa trouxe a prática para teoria, pois todos os participantes falaram de uma aplicação da comida no dia-a-dia.

A nutricionista Rosana Proença trouxe que apesar das alterações necessárias por conta da vigilância sanitária algumas coisas devem ser relevadas ou simplesmente readequadas para manter a identidade das receitas, a exemplo dos pratos típicos açorianos em Santa Catarina.



O chef Alex Atala resalta que o patrimônio gustativo cultural para os chefs é relativo aos produtos, a origem deles, gerando um despertar de sabores e prazeres.

“Criar não é olhar para frente. É, muitas vezes, resgatar” - Alex Atala

Para Alex Atala, a troca entre as disciplinas (ciências) é positivo e o lado empírico do cozinheiro pode se complementar à academia. Ele define a mandioca não só como um patrimônio gustativo, mas como o maior pilar da cozinha brasileira.

A última mesa, à tarde, foi composta pelos pesquisadores Carlos Alberto Dória, Janine Collaço, Mariana Corção e Prof. Ricardo Maranhão. Eles trataram de questões etnográficas, historiografias e alimentação como prática social. A professora Janine fala da comida italiana que era característica da cidade de São Paulo foi substituída pela comida fast-food, devido a dinâmica e a velocidade da capital paulista. E isso vem ocorrendo em outras capitais.

O professor Maranhão fez uma historiagrafia do panorama dos bares e restaurantes paulistanos. E a Mariana Corção fez uma pesquisa sobre o Bar Palácio em Curitiba, que mesmo ter mudado de endereço, manteve suas características tradicionais, como por exemplo, o serviço da casa e o ambiente o qual se relaciona os frequeses e o serviço.



Para terminar, lembro de uma citação do Prof. Carlos Antunes na abertura do evento sobre memória gustativa. Ele citou o desenho Ratatouille, na cena onde o crítico gastronômico ao provar um prato preparado pelo chef recebe toda a carga de sensações e prazeres que remetiam a sua infância em algum lugarejo no interior da França. São lembranças que vieram a sua mente em alguns segundos e são essas sensações que procuramos ao estudar antropologia no nosso dia-a-dia.

sábado, 18 de agosto de 2007

Olhares Antropológicos

OLHAR
■ verbo: Dirigir os olhos para alguém, algo ou para si; ver-se mutuamente; mirar(-se), contemplar(-se), fitar(-se), forma de interpretar ou realizar a análise.

ANTROPOLÓGICO
■ adjetivo: Relativo a antropologia, que é a ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças, etc.

A utilização da etnografia na investigação dos fenômenos sociais requer o olhar antropológico por parte do pesquisador. José Guilherme C. Magnani alega que em quaisquer domínios das práticas culturais, o importante ao olhar antropológico não é

apenas o reconhecimento e registro da diversidade cultural (...) mas também a busca do significado de tais comportamentos: são experiências humanas - de sociabilidade, de trabalho, de entretenimento, de religiosidade - que só aparecem como exóticas, estranhas, ou até mesmo perigosas quando seu significado é desconhecido. O processo de acercamento e descoberta desse significado pode ser trabalhoso, mas o resultado é enriquecedor: permite conhecer e participar de uma experiência nova, compartilhando-a com aqueles que a vivem como se fosse “natural”, posto que se trata de sua cultura. (MAGNANI,1996,p.18)
Se por um lado, a relação íntima e orgânica entre pesquisador e pesquisado torna a etnografia uma forma interessante para interpretar o fenômeno antropológico, por outro, pode trazer o problema do ‘olhar’ viciado e ofuscado do pesquisador. Este problema, entretanto, torna-se superável através do entendimento do princípio da relativização. O princípio da relativização é considerado indispensável pelos pesquisadores adeptos da etnografia.

A antropologia (...) não dispensa o caráter relativizador que a presença do “outro” possibilita. É esse jogo de espelhos, é, essa imagem de si refletida no outro que orienta e conduz o olhar em busca de significados ali, onde, à primeira vista, a visão desatenta ou preconceituosa só enxerga o exotismo, quando não o perigo, a anormalidade. (MAGNANI,1996,p.21)

Olhar, estimular os sentidos, discutir e pensar serão exercícios recorrentes do blog Antropolodia. Aliás, serão vários olhares, pois buscaremos a pluralidade de assuntos e de colaboradores.

Obrigado HOUAISS e MAGNANI por suas contribuições:
HOUAISS. Dicionário da Língua Portuguesa.
http://houaiss.uol.com.br
MAGNANI, José Guilherme C. e TORRES, Lilian de Lucca. Na metrópole: textos de antropologia urbana. São Paulo, Edusp, 1996

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Um dia no Quênia

Antropologia no dia-a-dia

ANTROPOLOGIA (cuja origem etimológica vem de anthropos, homem / pessoa e logos, razão / pensamento), é a disciplina dedicada aos estudos dos agrupamentos humanos e à compreensão do sentido do comportamento do Homem, considerando, em sua análise, as origens, o desenvolvimento e a construção de regras que regem as relações internas e externas destas sociedades. Em seu estudo, a Antropologia preocupa-se em aprofundar o conhecimento, por meio da pesquisa de campo, dos sistemas simbólicos e da estruturação das relações entre os grupos humanos que dela fazem parte e que com elas se relacionam, seja em sua relação com a natureza, seja em sua constituição cultural.

Antropologia estudada e entendida no seu dia-a-dia. Aqui será o espaço para debater e discutir essa ciência tão próxima a todos nós. Aguardem!