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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cultura do Remix

O termo remix surgiu nos anos 70, quando produtores e DJs descobriram que era possível mexer na música depois que ela havia sido gravada. Um conceito de certa maneira novo, a pós-produção ajudou a maturidade do rock nos anos 60, quando, liderada pelos Beatles, toda uma geração se dispôs a alterar a própria obra com efeitos, superposições e modulações que podiam mudar sutil ou completamente o que havia sido registrado em estúdio.

É com o mesmo conceito que hoje vemos o remix ser utilizado em outra mídia, a Internet.

Reinventar: essa é a palavra de ordem. Propondo a reinvenção de um produto, possibilitando a reapropriação e incorporando alternativas, a Cultura do Remix cria uma nova expressão, provocando a imaginação do espectador.

Os novos artistas da Cultura do Remix provocam a percepção humana sobre a realidade que as cerca, abrindo novos significados a aprtir de reprocessamento e releituras de sons e imagens, com suas gravações e manipulações. Dando uma nova roupagem para a já tão citada Indústria Cultural, pois agora o poder está saindo da concentração dos poucos poderosos da mídia e se diluindo na coletividade da sociedade.

Sites de vídeos como o YouTube oferecem a plataforma perfeita para pessoas criativas adicionarem suas próprias versões de clips musicais e virais da internet. De paródias a remixes de uma única canção, ou ainda uma junção de várias músicas, é fácil achar pérolas realmente inovadoras.

Então junte informação abundante, disseminação da tecnologia e um espaço "teoricamente" livre e chegamos na Cultura do Remix. Um local onde qualquer um pode criar a sua música ou seu vídeo, sem gravar ou produzir uma nota musical ou frame se quer. Apenas se apropriando de outros materiais e dando forma a um novo produto cultural.

A seguir, selecionamos dois dos melhores hits (segundo a revista PC World-EUA) dos vídeos musicais do YouTube feitos com colagens de outros vídeos.

Vídeo: ThruYou - Mother of All Funk Chords
O projeto ThruYou, do produtor musical Kutiman, de Israel, captura diferentes vídeos do YouTube com pessoas cantando ou tocando algum instrumento, e os edita, colocando todos juntos para montar um funk/jazz que, inicialmente parece uma bagunça, mas se transforma em um som de alta qualidade.O “The Moher of All Funk Chords”, primeiro dos sete remixes produzidos por ele, foi visto mais de um milhão de vezes na primeira semana em que estava no site.





Vídeo: Xmas in New York city
Esse vídeo misturou Frank Sinatra, AC/DC, Rolling Stones e acabou ganhando o Desafio do Vídeo Remix 2008. Os juízes consideraram que a obra “captura o espírito de anarquia, ironia e cultura pop”.



Obs: O texto acima também foi remixado de vários websites. Dá-lhe Cultura do Remix!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Gilberto Gil e a Indústria Cultural

O Ministério da Cultura encomendou ao IBGE uma pesquisa que permitisse perceber o peso da cultura na economia nacional. O objetivo principal, com os dados, é o de incentivar a profissionalização do processo criativo, agregando ainda a produção, distribuição, divulgação e comercialização da cultura como uma mercadoria a circular no Brasil e no mundo. Outro objetivo da pesquisa é medir o impacto da cultura na economia brasileira de uma forma mais transparente.

CinemaAqui encontramos um problema essencial: Que cultura é essa de que estamos falando e sobre a qual o IBGE coletou dados? A antropologia é a ciência que tem por objeto de estudo a cultura e por isso, vamos recorrer a ela. A antropologia evolucionista compreende que todos os seres humanos estão ligados em uma história comum de evolução; as diferenças entre os povos teriam sua justificativa no fato de cada povo estar situado em uma fase distinta de evolução, perceptível a partir de uma comparação entre eles. Já para a antropologia historicista a especificidade cultural de cada povo é fundamental, ou seja, cada povo tem a sua cultura. No entanto, falar dessa corrente hoje em dia é um debate vazio, pois as barreiras territoriais foram quebradas e tudo se mistura em uma grande salada cultural, graças à tão falada globalização.

Na primeira metade do século XX, os teóricos de Frankfurt foram os primeiros a estudar a questão da mercantilização da cultura (um dos embriões da globalização) promovida pelos Estados Unidos, através do entretenimento. Cinema, rádio, música, TV, moda e alimentação foram as primeiras munições utilizadas por essa nação que dominou culturalmente o lado ocidental do globo nesse século. Para os estudiosos alemães, a missão da cultura de levar o esclarecimento acabava sendo corrompida, e levando a uma diminuição da consciência crítica dos seres humanos, agora entregues a lazeres marcados pela excitação dos sentidos e não pelo estímulo à razão.

Voltando aos dados, a pesquisa do IBGE mostrou que o brasileiro gasta com "produtos e serviços culturais" 8% do orçamento familiar. É um quarto lugar louvável, que fica atrás apenas dos gastos com habitação, alimentação e transporte. O gasto com cultura fica à frente de gastos com vestuário e educação, por exemplo. Ao tentar mensurar na ponta do lápis esses gastos culturais, o governo brasileiro reafirma a figura da indústria cultural e a coloca como um dado estatístico dentro da política econômica.

Algumas perguntas surgem ao pensarmos nesta pesquisa do IBGE: A questão cultural não envolveria o modo como vivemos, onde moramos, como nos alimentamos, nos locomovemos, nos vestimos e como nos relacionamos com outras pessoas? O próprio hábito de consumo não poderia ser estudado através de um olhar mais antropológico?

Sendo assim, o que de real essa pesquisa tenta nos informar?