segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Antropologia do Youtube
Mais uma vez os antropólogos reconfiguram a noção de "campo".
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Cultura do Remix
É com o mesmo conceito que hoje vemos o remix ser utilizado em outra mídia, a Internet.
Reinventar: essa é a palavra de ordem. Propondo a reinvenção de um produto, possibilitando a reapropriação e incorporando alternativas, a Cultura do Remix cria uma nova expressão, provocando a imaginação do espectador.
Os novos artistas da Cultura do Remix provocam a percepção humana sobre a realidade que as cerca, abrindo novos significados a aprtir de reprocessamento e releituras de sons e imagens, com suas gravações e manipulações. Dando uma nova roupagem para a já tão citada Indústria Cultural, pois agora o poder está saindo da concentração dos poucos poderosos da mídia e se diluindo na coletividade da sociedade.
Sites de vídeos como o YouTube oferecem a plataforma perfeita para pessoas criativas adicionarem suas próprias versões de clips musicais e virais da internet. De paródias a remixes de uma única canção, ou ainda uma junção de várias músicas, é fácil achar pérolas realmente inovadoras.
Então junte informação abundante, disseminação da tecnologia e um espaço "teoricamente" livre e chegamos na Cultura do Remix. Um local onde qualquer um pode criar a sua música ou seu vídeo, sem gravar ou produzir uma nota musical ou frame se quer. Apenas se apropriando de outros materiais e dando forma a um novo produto cultural.
A seguir, selecionamos dois dos melhores hits (segundo a revista PC World-EUA) dos vídeos musicais do YouTube feitos com colagens de outros vídeos.
Vídeo: ThruYou - Mother of All Funk Chords
O projeto ThruYou, do produtor musical Kutiman, de Israel, captura diferentes vídeos do YouTube com pessoas cantando ou tocando algum instrumento, e os edita, colocando todos juntos para montar um funk/jazz que, inicialmente parece uma bagunça, mas se transforma em um som de alta qualidade.O “The Moher of All Funk Chords”, primeiro dos sete remixes produzidos por ele, foi visto mais de um milhão de vezes na primeira semana em que estava no site.
Vídeo: Xmas in New York city
Esse vídeo misturou Frank Sinatra, AC/DC, Rolling Stones e acabou ganhando o Desafio do Vídeo Remix 2008. Os juízes consideraram que a obra “captura o espírito de anarquia, ironia e cultura pop”.
Obs: O texto acima também foi remixado de vários websites. Dá-lhe Cultura do Remix!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Movimentar o que está parado.
Minhas ambições antropológicas com a internet e com a cultura urbana me fez criar esse blogzinho há dois anos, ele ficou paradinho enquanto eu estava adquirindo material. E agora sinto que está na hora de fazer valer a idéia pra que ele foi criado.
é isso!!
valeu
até breve.
Carol
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Piercing e Tatuagem - primeiro olhar
Numa sociedade tribal a pintura corporal e a ornamentação são formas efêmeras de arte, que têm grande importância nos momentos cerimoniais, utilizadas como formas de enfeitar-se ou na construção de uma armadura psicológica, fazendo o seu portador representar seus anseios e angústias, espelhando seu grau de socialização, ou seja, sua integração na sociedade em que está inserida. Como muito bem lembram Castilho e Martins no livro "Discursos da Moda: semiótica, design e corpo (2005)",
“O que define a priori a espécie humana é que em todo o nosso processo histórico, somos movidos a estruturar e a propagar linguagens que possibilitam e potencializam nossa comunicação. Uma das principais características da comunicação humana é a de dotar nosso corpo de significação e, conseqüentemente, de linguagens que são potencializadas por meio de interferências, (...) ressemantizando-o ou, em outras
palavras, dando novos valores a ele.”
Lux Vidal seguindo afirma que os ornamentos corporais são considerados “como material visual que exprime a concepção tribal da pessoa humana, a categorização social e material e outras mensagens referentes à ordem cósmica, ou seja, são manifestações simbólicas e estéticas centrais para a compreensão da vida em sociedade".
Caminhando por uma análise da "sociedade-líquida" de Baumann, podemos interpretar o uso desses adereços modernos como uma forma de resposta a esse mundo das relações efêmeras e egoístas. Ao se tatuar, a pessoa cria laços duradouros entre seus semelhantes e marca em seu corpo uma mensagem definitiva... um grito de "Ainda estou vivo, ainda pertenço a esse mundo".
Etnografia em uma cultura digital
Vejam essa iniciativa muito interessante de um grupo de trabalho de estudantes de antropologia da Kansas State University (EUA), que se dedica a explorar as possibilidades e o impacto da interação entre seres humanos e a tecnologia, dentro que está sendo chamado de Cultura Digital.
A cultura digital encontra campo fértil dentro da pós-modernidade, período que apesar de muitas discussões, costuma-se a designar o período em que nos encontramos. A cultura digital surge da convergência das mídias, do surgimento do computador e da criação do ciberespaço (Internet). Tudo interligado na forma como nos relacionamos e como nos comunicamos entre si. Manuel Castells diz que "a comunicação definitivamente molda a cultura". E isso se percebe ao olharmos como a comunicação de massa ajudou a construir o sistema cultural do século XX. Agora no início do século XXI vemos essa profusão de informações, de ligações sociais efêmeras, dos cliques rápidos em milhares de páginas na Internet. E como o ser humano se encontra no meio de tudo isso?
É essa a proposta desses alunos norte-americanos. E eles começaram voltando o olhar para dentro de suas classes universitárias...tudo com a ajudinha das novas tecnologias. É uma boa oportunidade para daqui a algum tempo vermos os resultados.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
A tendência é ser cool

Um coolhunter é um profissional que se dedica a identificar possíveis padrões futuros de comportamentos e atitudes, particularmente no que se refere a produtos de consumo. O conceito de “cool hunting” é a identificação, no presente, das sementes de movimentos que estão ganhando corpo e tomarão forma no futuro. Seria uma aproximação do marketing com a antropologia e as ciências sociais aplicadas a marcas e produtos.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Gilberto Gil e a Indústria Cultural
Aqui encontramos um problema essencial: Que cultura é essa de que estamos falando e sobre a qual o IBGE coletou dados? A antropologia é a ciência que tem por objeto de estudo a cultura e por isso, vamos recorrer a ela. A antropologia evolucionista compreende que todos os seres humanos estão ligados em uma história comum de evolução; as diferenças entre os povos teriam sua justificativa no fato de cada povo estar situado em uma fase distinta de evolução, perceptível a partir de uma comparação entre eles. Já para a antropologia historicista a especificidade cultural de cada povo é fundamental, ou seja, cada povo tem a sua cultura. No entanto, falar dessa corrente hoje em dia é um debate vazio, pois as barreiras territoriais foram quebradas e tudo se mistura em uma grande salada cultural, graças à tão falada globalização.Na primeira metade do século XX, os teóricos de Frankfurt foram os primeiros a estudar a questão da mercantilização da cultura (um dos embriões da globalização) promovida pelos Estados Unidos, através do entretenimento. Cinema, rádio, música, TV, moda e alimentação foram as primeiras munições utilizadas por essa nação que dominou culturalmente o lado ocidental do globo nesse século. Para os estudiosos alemães, a missão da cultura de levar o esclarecimento acabava sendo corrompida, e levando a uma diminuição da consciência crítica dos seres humanos, agora entregues a lazeres marcados pela excitação dos sentidos e não pelo estímulo à razão.
Voltando aos dados, a pesquisa do IBGE mostrou que o brasileiro gasta com "produtos e serviços culturais" 8% do orçamento familiar. É um quarto lugar louvável, que fica atrás apenas dos gastos com habitação, alimentação e transporte. O gasto com cultura fica à frente de gastos com vestuário e educação, por exemplo. Ao tentar mensurar na ponta do lápis esses gastos culturais, o governo brasileiro reafirma a figura da indústria cultural e a coloca como um dado estatístico dentro da política econômica.
Algumas perguntas surgem ao pensarmos nesta pesquisa do IBGE: A questão cultural não envolveria o modo como vivemos, onde moramos, como nos alimentamos, nos locomovemos, nos vestimos e como nos relacionamos com outras pessoas? O próprio hábito de consumo não poderia ser estudado através de um olhar mais antropológico?
Sendo assim, o que de real essa pesquisa tenta nos informar?